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Os bebês têm um ritmo de crescimento, desenvolvimento e ganho de peso muito acelerado no primeiro ano de vida. Nesse período, a demanda metabólica é alta e requer calorias e nutrientes adequados, que vêm da amamentação e, depois dos 6 meses, também da introdução da alimentação complementar.
Quando a criança completa 1 aninho, esse ritmo de crescimento diminui bastante e isso, claro, se reflete no apetite. A partir do segundo ano, o ganho de peso tende a acontecer de forma bem mais lenta. Por isso, é comum (e até esperado) que um bebê de 8 meses, por exemplo, demonstra mais fome e vontade de comer do que uma criança de 1 ano e pouco.
Outra questão é que, nessa fase, eles têm um interesse maior pelo mundo, pelas pessoas e pelo que está acontecendo ao redor. Estão começando a andar, a interagir mais, a explorar o ambiente… Então, com a fome um pouco menor e o “mundo” chamando atenção, muita coisa pode influenciar a refeição: um dentinho nascendo, uma visita que chegou, o cachorro fazendo farra, barulho, TV ligada, muita gente falando ao mesmo tempo… Tudo isso pode contribuir para que a criança se distraia, se irrite ou recuse o pratinho.
Quando a criança não quer a comida, é importante que você, mãe/pai, e os profissionais que acompanham a criança se perguntem: ela está doentinha, com alguma virose? Está muito incomodada com algum dentinho? Aconteceu algo diferente na rotina? Houve algum susto ou experiência ruim relacionada à alimentação? Se não houver algo orgânico dificultando, minha dica é: mantenha a calma. Em muitos casos, isso é uma fase e passa.
O que fazer:
- Mantenha rotina e previsibilidade: ofereça refeições e lanches em horários parecidos todos os dias.
- Ambiente calmo e sem telas: quanto menos estímulos (TV/celular/brincadeiras), melhor a atenção na comida.
- Continue oferecendo comida de verdade: variedade + repetição. Às vezes a aceitação precisa de várias exposições.
- Inclua um “alimento seguro” no prato: algo que a criança costuma aceitar, junto com os demais alimentos.
- Evite beliscos e bebidas calóricas fora de hora: isso pode reduzir ainda mais a fome da refeição.
- Divida as responsabilidades: o adulto decide o quê, onde e quando; a criança decide se e a quantidade que vai comer.
Atenção aos sinais de alerta:
Procure avaliação com pediatra e/ou nutrir se houver perda de peso, queda na curva de crescimento, apatia, poucas fraldas molhadas, vômitos frequentes, diarreia persistente, dor para comer, engasgos recorrentes ou recusa muito intensa por vários dias.
O que não fazer?
O que acontece, em geral, é que a família, sem saber que esse comportamento pode ser comum nessa época da vida, fica angustiada ao ver a criança comer menos e, na tentativa de fazê-la comer “qualquer coisa”, acaba entrando no caminho dos atalhos. É aí que podem aparecer na rotina biscoitos pobres em nutrientes (e ricos em farinhas refinadas, aditivos e açúcar), bebidas lácteas ultraprocessadas e por aí vai.
Quando a família cai nessa tentação, acaba trocando um desafio por outro e, sem intenção, pode contribuir para que a criança recuse ainda mais os alimentos naturais e a comida de verdade. Meu conselho é: mantenha o acompanhamento com pediatra e nutricionista materno-infantil. Tenha calma, perseverança e consistência na oferta de alimentos saudáveis. Aos poucos, as coisas vão se encaixar.
Vai dar tudo certo!
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