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Para quem não conhece ou acompanha, até o final deste mês acontecem os Jogos Olímpicos de Inverno (em francês: Jeux olympiques d’hiver), também conhecidos como Olimpíadas de Inverno, um importante evento multiesportivo internacional realizado a cada quatro anos para esportes praticados na neve e no gelo.
Em janeiro o Milan Fashion Week foi apresentado ao mundo como todos os anos com as primeiras apostas para 2026. Agora, a Itália recebe turistas de alto escalão, executivos, celebridades e criadores de conteúdo em um evento que funciona como um grande “drop” global de marketing, que sem dúvida aquece a reputação e vendas ao mesmo tempo.
Milão é território simbólico para o luxo e isso pesa quando a conversa vira desejo de compra. Entre as marcas que já estão capitalizando sua visibilidade no evento estão Prada, Gucci, Versace, Valentino, Dolce & Gabbana, Fendi e Salvatore Ferragamo. Duas com foco extra. Moncler que veste o Time Brasil, enquanto Giorgio Armani, por meio da linha esportiva EA7, veste a seleção anfitriã.
Para comentar um pouco sobre os uniformes de mais destaque nessas Olimpíadas, a consultora de imagem e estilo Gabriela Rosa, que morou por anos na Itália (ela voltou ao Brasil recentemente), acompanha as semanas de moda, marcas e acontecimentos em um dos países mais desejados e visitados da Europa.
Vamos começar pelo país da casa, claro: Itália.
Os uniformes foram desenhados por Giorgio Armani, um ícone absoluto do design italiano, praticamente sinônimo de luxo moderno. Antes de se despedir do projeto, o próprio Armani comentou que as peças foram inspiradas nas montanhas italianas e isso aparece de forma sutil, elegante e nada óbvia.
Os uniformes da Mongólia também são um enorme acerto. Eles trazem uma combinação lindíssima de roupas tradicionais mongóis, mas reinterpretadas de um jeito que realmente funciona no contexto esportivo. É contemporâneo, atlético, e ainda assim uma referência clara à cultura nômade do país.
Nos Estados Unidos, esse é o décimo ano em que a Ralph Lauren assina os uniformes e dá pra entender perfeitamente por que eles continuam voltando a marca. As camisetas em tom creme são lindas, confortáveis e muito bem resolvidas visualmente. O projeto foi feito em colaboração com a grife italiana de luxo Moncler, e o resultado são vestidos acolchoados, com volumes interessantes, combinados com camisetas que se destacam em um verde vibrante do Brasil.
A Noruega, o que não chega a ser surpresa, também apresentou uniformes incríveis. Eles foram criados pela Dale of Norway, uma das primeiras empresas do mundo a desenvolver roupas específicas para os Jogos Olímpicos de Inverno. A tradição e a expertise aparecem em cada detalhe.
Já o Haiti trouxe alguns dos uniformes mais emocionantes. Eles foram desenhados pela estilista ítalo-haitiana Stella Jean. São jaquetas puffer acolchoadas, pintadas à mão, o que por si só já é impressionante. As ilustrações retratam uma obra de um artista haitiano que homenageia Toussaint Louverture, líder da revolução haitiana.
O que torna esses uniformes ainda mais especiais é o fato de Stella Jean unir sua herança italiana e haitiana em um único projeto. Essa fusão de identidades torna o trabalho profundamente simbólico e poderoso.
“E é exatamente por isso que a gente ama assistir aos Jogos Olímpicos e também por que amamos observar a moda nesse contexto. Ela vai muito além da estética: fala de cultura, identidade e pertencimento”, finaliza Gabriela.
As vezes em que o Anhembi homenageou a literatura na avenida

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Começou na última sexta (13) os desfiles das escolas de samba de São Paulo, mirando as atenções e os holofotes mais uma vez no Sambódromo de Anhembi. Acima das alegorias, estruturas dos carros e os figurinos exuberantes, o Carnaval chama a atenção pelos temas, que conversam com o público e servem para informar, manifestar e representar ideias, povos e legados. As escolas de samba de São Paulo têm levado à avenida não apenas personagens históricos e temas sociais, mas também grandes nomes da literatura brasileira. Relembre algumas delas.
Em 1988, a Vai-Vai apresentou “Amado Jorge, a História de Uma Raça Brasileira”, exaltando Jorge Amado, um dos escritores brasileiros mais adaptados para o cinema e a televisão. O desfile celebrou a brasilidade presente em obras como “Gabriela”, “Cravo e canela” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, que ajudaram a consolidar uma imagem internacional do país. O samba enredo foi campeão da disputa de 88, e um dos motivos para a escolha da homenagem ao escritor foi pela efeméride do centenário da abolição da escravatura. A agremiação utilizou a obra do escritor baiano Jorge Amado, em especial “Tenda dos Milagres”, para exaltar a miscigenação e a cultura negra brasileira.
Outra campeã retratando a vida de um autor em seu desfile no Carnaval paulistano foi a Águia de Ouro, em 2020, abordando a vida e a importância do educador Paulo Freire a partir do enredo “O Poder do Saber – Se saber é poder… quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Foi o primeiro título da Água do Ouro. Com carros alegóricos estampando livros à frente e com a frase “Não se pode falar de educação sem amor.
Viva Paulo Freire!”, o desfile percorreu a história da evolução do conhecimento humano, refletindo sobre seus usos para a evolução ou destruição da humanidade, e a importância do educador neste meio, sobretudo o seu método de ensino que ensinou mais de 300 adultos a ler, escrever e pensar de forma crítica assuntos como os direitos trabalhistas e o direito ao voto em apenas 40 horas, ganhando popularidade e respeito mundo afora – Paulo Freire é o acadêmico brasileiro mais citado e o professor mais traduzido para outras línguas.
Mais recentemente, no Carnaval de 2024, a Mocidade Alegre ganhou o seu segundo título consecutivo relembrando a época modernista com “O Turista Aprendiz”, inspirado na obra de Mário de Andrade, pelo samba-enredo “Brasiléia Desvairada: A busca de Mário de Andrade por um país”. O desfile dialogou com as viagens etnográficas do escritor e sua busca por compreender a identidade cultural brasileira, conectando modernismo, cultura popular e o próprio espírito investigativo do samba. O samba-enredo da Mocidade, composto por Biro Biro, Turko, Gui Cruz, Rafa Do Cavaco, Minuetto, João Osasco, Imperial, Maradona, Portuga, Fábio Souza, Daniel Katar e Vitor Gabriel, teve o ator Pascoal da Conceição interpretando o mais importante poeta brasileiro de malas prontas para desbravar em busca de entender as milhares de culturas e tradições ao redor do Brasil, que o fez caracterizar como “diferentes Brasis”.
Já em 2008, a Mancha Verde levou à avenida uma homenagem a Ariano Suassuna, criador do Movimento Armorial (iniciativa que buscava criar uma cultura erudita a partir da valorização da cultura sertaneja , unindo música, artes plásticas, teatro e literatura) e autor de clássicos como “O Auto da Compadecida”. Na ocasião, a Mancha Verde foi além, reverenciando todas as obras de Ariano Suassuna, no bom estilo carnavalesco, a cultura nordestina e as matrizes populares que sempre foram pautas das criações de Ariano. O nome do samba-enredo foi “És Imortal! Ariano Suassuna: Sua Vida, Sua Obra, Patrimônio Cultural!”, e surgiu espontaneamente a partir de uma entrevista que o autor deu ao Programa Jô Soares, pelo presidente da agremiação na época, Paulinho Serdan.
A literatura em quadrinho também ganhou seu destaque no Sambódromo do Anhembi. Em 2003, a Nenê de Vila Matilde levou para a avenida o enredo “É Melhor Ler – O Mundo Colorido de um Maluco Genial”, em homenagem a Ziraldo. Com 24 alas, o desfile apresentou personagens como Menino Maluquinho e A Turma do Pererê, além de referências ao jornal O Pasquim, fundado pelo cartunista durante a ditadura. A comissão levou mais de 300 crianças que participaram do cortejo, reforçando o incentivo à leitura e o grande poder social que os quadrinhos levam como porta de entrada à alfabetização e ao gosto literário. O próprio Ziraldo desfilou ao lado do filho Antonio Pinto, inspiração para o Menino Maluquinho, e de sua neta, Nina Amarante, caracterizada por Menina Nina.
Fonte: Blog Splash Amaury Junior