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Como se formam os hábitos alimentares das crianças?

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Você já se perguntou por que é tão difícil fazer as crianças comerem vegetais e frutas? A criação de hábitos alimentares na infância é um processo complexo que vai muito além de um simples “gostar” ou “não gostar” de determinado alimento.

O comportamento de recusar o brócolis, por exemplo, pode estar enraizado em uma série de fatores neurobiológicos, comportamentais e sensoriais. O modo como construímos nosso repertório de sabores está associado a estímulos que recebemos desde muito cedo, moldando as nossas preferências alimentares.

Hoje, sabemos que essas experiências nutricionais precoces promovem o que chamamos de programação metabólica. O que a criança experimenta no início da vida deixa marcas epigenéticas que influenciam sua saúde e escolhas alimentares na idade adulta. Portanto, o incentivo a uma relação saudável com a comida deve ser intencional e precoce.

A formação do hábito alimentar começa ainda na vida intrauterina. Por volta da 16ª semana de gestação, o feto já engole o líquido amniótico e entra em contato com as moléculas de sabor da dieta materna. Esse processo ganha força no aleitamento materno e se consolida durante a introdução alimentar, estendendo-se criticamente ao longo dos primeiros mil dias de vida (da concepção aos dois anos), um período de máxima plasticidade cerebral e aprendizado constante.

Embora uma pequena parcela de nossas preferências seja inata, como a nossa predileção natural pelo sabor doce, a grande maioria dos nossos hábitos é aprendida. Criar um ambiente alimentar positivo, respeitoso e servir como o principal modelo para os filhos são os pilares fundamentais para o desenvolvimento de uma relação leve e saudável com a comida.

Para construir essa base no dia a dia:

  • Estabeleça uma rotina previsível: Mantenha horários regulares para as refeições principais e lanches, trazendo segurança para a criança.
  • Priorize as refeições em família: Comer junto, compartilhando a mesma comida (adaptada para a idade), fortalece o exemplo positivo e o vínculo afetuoso.
  • Pratique a divisão de responsabilidades: O seu papel é oferecer alimentos nutritivos em um ambiente tranquilo; o papel da criança é decidir a quantidade. Respeite os sinais natos de fome e saciedade dela e nunca pressione ou force a comer.
  • Não use a comida como barganha: Evite transformar alimentos em recompensas para comportamentos ou punições. Isso distorce o valor emocional da comida.
  • Crie um ambiente seguro e limpo de telas: Desligue a TV, tablets e celulares durante as refeições. As distrações tecnológicas desconectam a criança de seus próprios sinais corporais de saciedade e atrapalham a experiência sensorial com o alimento.
  • Faça da “comida de verdade” a regra: Mantenha a casa abastecida de alimentos in natura e minimamente processados, tornando-os a escolha usual da rotina.
  • Evite o açúcar e os ultraprocessados: Proteja o paladar na formação da criança restringindo produtos hiper palatáveis (ricos em aditivos, excesso de sal e gorduras ruins) e lembre-se da recomendação de açúcar zero até os dois anos de idade.

Como é possível perceber, guiar a formação de bons hábitos alimentares é um processo contínuo que exige paciência, acolhimento e dedicação. Mas, como nutricionista, posso garantir: no futuro, ver seu filho colhendo os frutos de uma saúde resiliente e de uma relação sem conflitos com o prato fará todo o esforço ter valido a pena.

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