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A nova praga do “workslop”

Imagem Ilustrativa

A palavra workslop não possui uma tradução única, sendo um termo novo criado pela junção de work (trabalho) e slop (algo malfeito, feito com pressa e sem cuidado, de baixa qualidade).

O termo tem sido utilizado por publicações da Universidade de Harvard e do MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts –  para descrever relatórios, apresentações, e-mails ou códigos gerados por inteligência artificial que parecem profissionais à primeira vista, mas carecem de substância, contexto e qualidade. É a nova praga das organizações.

workslop não é um defeito da tecnologia em si, mas uma consequência comportamental de uma estratégia de gestão falha. Ele fica evidente quando os líderes adotam uma abordagem errônea em relação ao uso da IA.

O problema surge quando os líderes anunciam que a I.A será usada para “aumentar a eficiência” (cortar custos); quando os colaboradores percebem que colegas foram demitidos e substituídos por automação ou quando a liderança determina metas agressivas de adoção da IA (“cada funcionário deve gerar X relatórios por dia com IA”), por exemplo e, principalmente, quando não há treinamento genuíno, mas apenas instruções para “usar a ferramenta IA”. Nesse ambiente de medo e desconfiança (lembre-se: 40% dos funcionários veem a IA como uma ameaça), o comportamento racional do indivíduo não é inovar ou se engajar profundamente. É sobreviver e cumprir métricas. O resultado é o workslop.

As evidências de que sua empresa foi contaminada pelo workslop aparecem quando:

  • Você vê e-mails genéricos com respostas longas, educadas e perfeitamente gramaticais, mas que não adicionam informação nova ou resolvem o problema;
  • Relatórios inchados – documentos de 20 páginas gerados em 5 minutos, repletos de jargões, dados óbvios e sessões repetitivas, mas sem conteúdo útil;
  • Respostas de suporte ao cliente com soluções genéricas que ignoram o contexto específico da reclamação, frustrando o cliente e gerando irritação e retrabalho como pedir ao cliente que “reinicie seu roteador” para um problema claramente relacionado a uma fatura;
  • Reuniões com apresentações lindas, mas que não apresentam solução prática aos problemas; etc..

Um artigo de Jan-Emmanuel De Neve, Kate Laffan e Jeff Levin-Scherz, na HBR (abril, 2026) mostra uma pesquisa com 1.294 trabalhadores e que revela números preocupantes: 65% mas workslop entre funcionários que se sentem obrigados a usar a IA, em comparação com aqueles que a usam por vontade própria e com propósito claro; A percepção de que a IA é uma ameaça ao emprego é o principal preditor do comportamento de workslop. Quanto maior o medo, menor o engajamento e a qualidade do trabalho entregue e que líderes subestimam dramaticamente o problema. Enquanto 81% dos líderes acreditam que sua empresa promove o bom uso da IA, os dados mostram que a realidade da linha de frente é outra. O workslop é invisível para quem está no topo, mas onipresente para quem está na operação.

Assim, o workslop é o sintoma mais visível de uma organização que adotou a IA sem trabalhar a mudança cultural correspondente. Ele é o preço pago pela automação imposta sem propósito. A empresa que ignora o workslop e suas consequências, descobrirá, tarde demais, que sua “transformação digital” produziu muito mais volume, mas muito menos valor.

Pense nisso. Sucesso!