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A empresária não precisa de aplauso. Ela precisa de acesso

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O Mês das Mulheres costuma chegar com uma trilha sonora de elogios e uma estética de delicadeza. Recebemos flores, bombons e posts que exaltam nossa “força multitarefa”. É um gesto gentil, não me entendam mal, mas se pararmos para observar o dia a dia de quem lidera uma operação, de quem encara a folha de pagamento e as incertezas do mercado, percebemos que existe um abismo entre o reconhecimento público e a realidade do bastidor. A verdade é que a empresária brasileira não precisa de mais um aplauso protocolar. Ela precisa de acesso.

A liderança feminina, por mais potente que seja, ainda enfrenta portas que parecem não ter maçaneta do lado de fora. Durante muito tempo, tentaram nos vender a ideia de que o esforço individual era o único ingrediente para o sucesso. Mas quem está no campo de batalha sabe que o esforço sem a estrutura certa é apenas o caminho mais rápido para o esgotamento. O que muda o jogo de uma empresa não é o brilho do troféu na estante, mas o acesso à mesa onde as grandes decisões são tomadas, o acesso a redes de confiança que não te deixam cair e o acesso a um conhecimento que não se encontra em manuais teóricos, mas na vivência de quem já escalou as mesmas montanhas.

Essa necessidade de trocar o discurso superficial por uma base de apoio real é o que me move todos os dias. Eu percebi cedo que, quando uma mulher decide liderar, ela frequentemente se vê em uma ilha. É a solidão de decidir sozinha, de não ter com quem validar uma estratégia sem ser julgada e de não encontrar um ambiente que compreenda sua integralidade. Foi para quebrar esse isolamento que construímos o ecossistema da EBEM.

Para nós, o que fazemos não é apenas “dar aula”. É construir o tecido que sustenta a gestão. Afinal, o ensino sem a rede é apenas teoria acumulada, e a rede sem o ensino é apenas um encontro social. O que realmente fortalece uma empresária é a fusão entre saber o que fazer e ter as conexões certas para fazer acontecer. É transformar a “vontade de crescer” em um plano de expansão com pés no chão.

Um exemplo vivo dessa força coletiva e da ocupação de espaços que antes eram distantes é o que estamos realizando agora na Câmara Municipal de São Paulo. Em uma parceria com a vereadora Edir Macedo, a EBEM vai homenagear dezenas de mulheres que são verdadeiros pilares da nossa economia. Mas quero que entendam: o que vai acontecer ali vai muito além de uma cerimônia de entrega de certificados. É um ato de ocupação.

Ver dezenas de empresárias ocupando o plenário da maior cidade do país, sendo reconhecidas pela sua relevância econômica e pelo impacto que geram, é o tipo de acesso que transforma o cenário. Ali, a homenagem é o pretexto para o posicionamento. É para mostrar que a nossa voz não é um grito isolado, mas um coro organizado que as instituições agora são obrigadas a ouvir. É a EBEM cumprindo seu papel de ponte, levando a empresária do anonimato do seu esforço para o centro do palco da autoridade.

Portanto, neste mês, o meu convite é para que a gente mude a pergunta. Em vez de perguntar como podemos apenas “homenagear” as mulheres, vamos perguntar como podemos abrir caminho para elas. Se você quer apoiar uma empresária, não ofereça apenas um parabéns. Ofereça uma indicação estratégica, abra as portas da sua rede de contatos, compartilhe uma solução que funcionou para você ou, melhor ainda, apresente-a a grupos que pensem grande.

Aplauda as conquistas, sim, elas são fruto de muito suor. Mas logo depois, pergunte como você pode ajudar a abrir a próxima porta. Porque quando uma mulher líder encontra o acesso que precisa e a estrutura que a sustenta, ela não apenas cresce; ela arrasta todo um mundo com ela. E aí, o sucesso deixa de ser um evento isolado para se tornar um movimento imparável.

Com o pé no chão e o olhar no futuro,

Tatyane Luncah
@tatyaneluncah | @ebemoficial
#BoraLapidar? 💜