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Hoje em dia, depois de muitas décadas no golfe, consigo identificar claramente qual a tacada mais especial no golfe, aquela que corrige um erro, que põe muitas vezes você de novo numa disputa e cria sempre um ânimo adicional para as tacadas a seguir. Estou falando da famosa Sand Save, que para os não familiarizados, é aquela que ao você tirar uma bola da banca de areia consegue fazer o par do buraco. Que eu defino como a conjugação da prática técnica, do controle da respiração e ausência do medo de errar.
Que são praticadas constantemente pelos atletas de elite, e por aqueles amadores que conseguem a fórmula da performance sob pressão. E sem medo de errar e nem ser pretensioso demais, afirmo que o sand save, é psicologicamente como a tacada mais rica em lições porque é uma oportunidade de recuperação de alto risco. Que se torna quase natural quando se treina muito da banca e constrói uma memória muscular inconsciente. E quando a pressão surge no campo, você não precisa pensar, o corpo simplesmente executa o que foi treinado. Alguém já disse que o sucesso sob pressão não é sorte e a manifestação da preparação técnica, vulgo confiança na habilidade.
O Sand Save exige de cada um de nós a capacidade de acalmar a mente antes da tacada ou como outros chamam antes da explosão. O controle da respiração comentada na minha definição acima é a ponte entre a frustração do erro anterior e o foco na solução. E a ausência do medo de errar exige um comprometimento total com a tacada, onde o swing na banca deve ser firme e absoluto. A maioria dos amadores entram quase em estresse profundo quando caem nas bancas porque o medo de errar leva a desaceleração da tacada e ao consequente erro. Para que este artigo tivesse um pouco de instrução de como tirar da banca fui procurar na internet informações sobre um mestre na habilidade desta tacada, o famoso jogador profissional americano Phil Mickelson, cuja mentalidade agressiva no golfe é histórica. Sua rotina e filosofia enfatiza que é preciso acelerar o taco através da areia e não desacelerar por medo. E ele ensina que o foco não é no score ou no erro anterior (exemplificando, para os menos afeitos, que se você foi para bancar é porque você errou o green), mas onde o taco vai entrar e sair da areia.
Ele chama atenção para a visualização prévia da tacada, imaginar onde ela vai cair no green suavemente e no caso dele sempre ainda perto da bandeira, transformando o erro em uma oportunidade criativa. Voltando para os mortais dos amadores, posso afirmar que em todos os clubes de golfe que conheço existem um bom número de jogadores e jogadoras que dominam as tacadas das bancas naturalmente, grupo este que me incluo sem falsa modéstia. No São Fernando Golfe Clube, em Cotia, São Paulo, um dos clubes que sou sócio, tenho 2 amigos com mais de 70 anos, que jogam na banca como profissionais, e me ajudam a encerrar este artigo, porque eles sabem que o sand save além da ausência do medo de errar é a capacidade de aceitar a volatilidade da banca, o confiar no seu modelo técnico (a prática) e executar a tacada sem interferência emocional.
E como minha última mensagem neste penúltimo artigo do ano de 2025, para os leitores 50 mais, os convoco que venham para o golfe, porque estudos científicos sobre este esporte e saúde cognitiva confirmam que ele é um dos melhores retornos sobre investimento (ROI) para a saúde mental e cerebral na terceira idade.
Viva o golfe!