Violência doméstica e saúde da mulher

Em todas as conversas que realizei para escrever este artigo, os médicos foram unânimes em afirmar que a violência contra a mulher acarreta sérios danos à saúde física e mental da vítima

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No artigo de hoje, decidi escrever sobre um assunto muito importante e que, infelizmente, tem sido ignorado pelas nossas autoridades: a violência doméstica e seu impacto na saúde das mulheres. É preciso encarar esse problema, não dá para fingir que ele não existe.

O Brasil é o quinto país do mundo em ranking de violência contra a mulher, ficando atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia. Aqui, uma mulher é agredida a cada quatro minutos e uma morta a cada oito horas. Os especialistas no assunto afirmam que existe um padrão de atuação dos que praticam violência contra as mulheres: eles caçam suas presas, depois as isolam e torturam, física e psicologicamente, por longos períodos. Os relatos das vítimas apontam para o fato de que, na maioria das vezes, tudo começa com um relacionamento abusivo, e, com o passar do tempo, o relacionamento avança para a violência doméstica.

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Quebrando o silêncio
As pesquisas mostram que, para combater esse mal, o primeiro passo é construir políticas públicas que assegurem a essas mulheres o direito de romperem o silêncio. Muitas cidades criaram casas de abrigo para que as mulheres vítimas de violência doméstica possam ter para onde ir após fazer a denúncia – na maioria dos casos, essas vítimas não denunciam, pois são obrigadas a conviver sob o mesmo teto com o agressor.

Como sou oncologista, liguei para colegas de profissão que atendem mulheres vítimas de violência doméstica para entender as consequências desse crime na saúde feminina.

Efeitos nocivos
Ouvi desses médicos que, como consequência das constantes agressões, as vítimas convivem com diversos distúrbios, desde insônia, dor de cabeça e uso abusivo de álcool a ansiedade e depressão. Além desses problemas estruturais, meus colegas também destacaram os riscos para a saúde sexual e reprodutiva da mulher, que incluem traumas ginecológicos, infecções sexualmente transmissíveis e gravidez não planejada. Em todas as conversas que realizei para escrever este artigo, os médicos foram unânimes em relatar que a violência contra a mulher acarreta sérios danos à saúde física e mental da vítima, e que, além da violência física, essas mulheres têm sua vida social comprometida e convivem com severos abalos psicológicos..

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Programas públicos em prol da saúde da mulher
Já passou da hora de tratarmos esse assunto com responsabilidade. Estamos diante de um problema de saúde pública; as prefeituras, em ação conjunta com os governos estadual e federal, devem articular e criar programas com um olhar integral na saúde das mulheres.

As cidades que conseguiram reduzir os índices de violência doméstica adotaram algumas ideias, como por exemplo, a criação de uma subsecretaria ou departamento municipal de política para mulheres, cujo objetivo é formular ações de combate à violência. Outra proposta interessante é a criação de um centro de referência às mulheres em situação de violência doméstica, em que elas tenham acesso a acompanhamento psicossocial e orientação jurídica gratuitamente. O que pode ser aprimorado nas políticas públicas, considerando que mulheres são as principais usuárias de serviços de saúde, especialmente aqueles de atenção primária, é valorizar e capacitar os profissionais de saúde, para que, levando em conta a sua posição de atuação na ponta do problema, tornem-se verdadeiros anjos da guarda dessas vítimas de violência.

Tais ações, somadas a políticas educacionais, certamente reduzirão esses tristes números de estupros e violência doméstica em nossas cidades.

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