Vaticano e o consumo de vinhos

Reprodução/Internet

O Vaticano é o país que mais consome vinho no mundo: 30% a mais que a França, que está em segundo lugar. No ano de 2020 para noticiar a primazia dos cardeais é que “Existe um órgão americano autoritário, o Californian Wine Institute, que faz um censo do consumo de vinho a cada dois anos, país por país”. Nas passagens do Evangelho dedicadas às Bodas de Caná, lemos que Jesus, no que segundo a doutrina cristã é considerado o seu primeiro milagre, conseguiu transformar água em vinho num casamento que se realizava na cidade da Galileia. 

Assim, às preciosas garrafas de hoje, erguer os copos para os prelados é uma tradição indispensável. Retomando a passagem bíblica, o Papa Francisco comentou o episódio dizendo: “A água é necessária para viver, mas o vinho expressa a abundância do banquete e a alegria da festa. […] Mas imagine terminar uma festa tomando chá; seria uma pena. Sem vinho não há festa”.

Os dados, retomados principalmente por um artigo do The Daily Beast, mostram que a Igreja Católica “coloca em prática o que prega”: apesar de ter uma população de apenas 842 pessoas, o órgão americano tem registrado consumo médio anual de vinho atestado em 74 litros por pessoa. Isso é o dobro do que se bebe no resto da Itália e sete vezes mais do que o “vinho per capita” dos Estados Unidos.

Depois do Vaticano no pódio estão a França e a Itália: “O consumo per capita é de 73,8 litros por pessoa, dando um giro para a França, segunda com 50,7 e Itália, terceira com 48,2. Essa primazia não surpreende – explica – o vinho é a única bebida de Deus e por isso o seu derramamento é compreensivelmente grande na cidadela dos Papas”.

Não é coincidência, portanto, que o Daily Beast tenha escolhido hospedar a notícia “Sacerdotes e freiras do Vaticano estão se afogando no vinho”.

A quem se apresse a ligar estes dados à incidência do chamado vinho de missa, aquele usado durante a celebração da Comunhão Católica, o California Wine Institute responde que este foi mantido fora da contagem. Então, qual é a razão para tal consumo excessivo? Segundo o site americano, deve ser visto numa perspetiva demográfica: “A população é maioritariamente composta por prelados e freiras idosos, muitos dos quais vivem em comunidades e jantam em áreas comuns onde o vinho flui livremente (literalmente)”. O vinho, no entanto, também é uma das homenagens mais comuns ao Papa, tanto que várias videiras produzem rótulos especiais para o Papa e são apresentadas no Vaticano com caixas para serem entregues ao bispo de Roma (neste caso a primeira pessoa descendente de uma família de produtores de vinho da província de Asti, no Piemonte).

Mauricio Costa | Master sommelier

@workshopdevinhos

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