E o nosso golfe ainda em pandemia

Não está fácil para ninguém! E para nós, brasileiros, que tanto gostamos de abraçar e beijar entes queridos, a pressão parece aumentar dia a dia.

Maestro Roberto Di Vicenzo e o articulista Durval Pedroso, no campo de golfe do Abril Club de Campo- 2004.

Completando meus quatro meses de quarentena, confesso que acreditava que já estaríamos a todo vapor em nossas mais diversas atividades profissionais e pessoais. Mas a realidade tem mostrado que vamos ficar ainda um bom tempo de resguardo. Não está fácil para ninguém! E para nós, brasileiros, que tanto gostamos de abraçar e beijar entes queridos, a pressão parece aumentar dia a dia.

Por isso, como golfistas, precisamos agradecer aos Céus, pois quase todos os clubes de golfe já abriram as suas portas no início deste mês, obviamente com muitas restrições ainda, para a prática do esporte. Assim, empresários, executivos e uma boa gama de aposentados, estão conseguindo fazer uma partida de golfe, o que está ajudando muito a reduzir o estresse que esta doença trouxe a toda sociedade. Privilégios de alguns, só porque, entre nós, não há campos públicos, como nos Estados Unidos, onde se proliferam de costa a costa e você não tem contato nenhum com o staff do clube, mas pode praticar seu esporte por um custo bem baixo.

Mas aqui vamos continuar com nossa cruzada positiva, olhando só para as coisas boas, que esta quarentena também vem nos trazendo. Como, obrigatoriamente, passamos a economizar tempo nos deslocamentos que fazíamos, está sobrando espaço para leituras, filmes, reflexões e, nas últimas três semanas, com a volta do PGA Tour, podemos ficar quintas e sextas-feiras muitas horas assistindo ao melhor golfe do mundo. Quando esta matéria sair, certamente o Tour Europeu também já estará de volta. E, para meu deleite e de muitos amantes do golfe, o surgimento de uma nova geração de golfistas craques, que parecem ter aproveitado muito bem os tempos de quarentena, assunto que vou comentar mais adiante, sem esquecer o nosso compromisso na edição anterior de abordar histórias, notícias, novos produtos, eventos, coisas e acontecimentos para os jogadores de todas as idades.

FALANDO DE NOVA GERAÇÃO
Estou escrevendo este artigo no dia seguinte da última ronda (12/07/2020) do torneio Workday Charity Open, jogado no Murfield Golf Club, na cidade de Dublin, no Estado de Ohio, nos Estados unidos, vencido depois de um incrível play-off de três buracos, pelo americano de origem japonesa de apenas 23 anos, Collin Morikawa. Ele não só derrotou um dos melhores do tour dos últimos seis anos, o fantástico Justin Thomas, mas provou que está chegando uma nova geração que não parece tremer em momentos de muita tensão. Ele se tornou profissional em 2019 e, em menos de um ano, já tem dois títulos do PGA.

Nesse torneio, outro jovem, Victor Hovland, norueguês que foi campeão amador americano em 2018, terminou em terceiro, mostrando que sua vitória no Porto Rico Open, em fevereiro, não foi um acidente.

Nessa semana, os grandes jogadores voltam ao Murfield Golf Club, para disputar o Memorial Tournament, com a presença confirmada do maior de todos os tempos Tiger Woods, que virá a campo para tentar a sua sexta vitória nesse torneio. E a moçada deverá aparecer em peso, como o chileno Joaquin Neimann, o coreano Sungjae Im de 19 anos, que este ano já ganhou mais de 4 milhões de dólares, o mexicano Abraham Ancer, e mais de uma dezena de outros que estão abaixo dos 30 anos de idade. Também é esperado Bryson DeChambeau, que nos últimos seis meses ganhou 15 quilos de massa muscular, e andou dando drives acima de 350 jardas no torneio que venceu há alguns dias o Rocket Mortgage Classic, em Detroit. Aliás, contrariando, naquela semana, uma máxima do golfe, pois ele foi o número um em drives e o número um em putters, nas estatísticas. Para quem não conhece uma velha lenda do golfe que diz: “quando Deus te dá o drive o diabo tira o putter”, na próxima edição da revista voltaremos a comentar o que ocorreu nesse torneio.

MOMENTO INESQUECÍVEL
Por minha última matéria ter despertado bastante interesse quando abordei o incrível momento do Master de 2019, cujo filme oficial foi anexado, um amigo profissional de golfe de origem argentina, Juan Leiva, que hoje em dia é muito mais brasileiro que portenho, aliás, até as benditas saltenhas empanadas a esposa dele que é brasileira está fazendo melhor que ele agora, me mandou um filme histórico do golfe argentino. O vídeo mexeu comigo, pois conheci, na minha adolescência, as grandes figuras que vinham jogar por aqui, no Aberto do Brasil, como Leopoldo Ruiz, Antonio Cerda, Fidel de Luca (amigo de meu pai) e o grande maestro Roberto di Vicenzo. Com este último, tive o prazer de jogar e conversar por quase dois dias inteiros, e isso foi matéria aqui na Viva em junho de 2004.

Os maestros argentinos daquela época encontraram por aqui um excepcional jogador, o nosso Mario Gonzalez, com quem travaram batalhas épicas no São Paulo Golfe Clube e no São Fernando, no Gávea e no Itanhangá Golfe Clube. Espero que todos que venham a assistir ao vídeo anexo possam gostar desse momento histórico dos nossos “hermanos” argentinos, que, em matéria de golfe, estão até hoje à nossa frente, não só pela quantidade de jogadores nos principais tours de golfe pelo mundo, quanto por terem ainda quase três vezes mais campos de golfe no país do que o Brasil.

Cuidando da saúde dos golfistas
Todos nós golfistas, amadores ou profissionais, eventualmente temos machucados para ser tratados. Os profissionais, quase sempre pelo excesso de treinamentos, e nós amadores, por pura preguiça de preparar o corpo adequadamente, seja via alongamentos tão necessários, ou porque não fazemos um trabalho de musculação correto (isso foi matéria da última edição). Os profissionais do tour estão com seus fisioterapeutas por toda a temporada em um trabalho contínuo de prevenção e imediata ação, quando ocorre qualquer machucado, por menor que seja. Como a maioria de nós, mortais jogadores amadores, não temos como estar com os fisioterapeutas a tiracolo, conversando dia desses com minha amiga Rossana Quessa, golfista e uma das poucas fisioterapeutas especializadas no tratamento das lesões relacionadas ao golfe, ela deixou claro “…é fundamental que o profissional médico ou fisioterapeuta escolhido para tratar qualquer lesão dos golfistas tenha conhecimento do gesto esportivo do golfe, da biomecânica e força do swing, para diagnosticar e tratar o vasto espectro de lesões relacionadas ao esporte”. A Rossana topou, nos próximos artigos, apresentar um vídeo sobre cada lesão e prevenção de tratamento.

 

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