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Do Iphone dobrável aos óculos inteligentes: a tecnologia está mudando de forma

A próxima geração já começou: do primeiro iPhone dobrável aos celulares de três telas e óculos inteligentes

Imagem Ilustrativa

Durante quase duas décadas, a evolução dos smartphones seguiu uma lógica relativamente previsível: telas maiores, câmeras melhores, processadores mais rápidos e aparelhos cada vez mais finos. Em 2026, porém, essa trajetória ganhou novas formas. Literalmente.

A chegada do primeiro iPhone dobrável coloca a Apple oficialmente em um mercado que a Samsung explora há anos. Ao mesmo tempo, aparelhos que se transformam em pequenos tablets, telas que se dobram duas vezes e conceitos capazes de envolver o pulso mostram que a indústria está novamente experimentando com a própria definição de “celular”.

E a mudança pode ir além do bolso. Enquanto os smartphones ganham novas formas, empresas de tecnologia trabalham para levar inteligência artificial, câmeras, áudio e assistentes digitais diretamente para aquilo que vestimos.

Entre produtos já disponíveis, lançamentos confirmados e conceitos ainda experimentais, conheça as tecnologias que ajudam a desenhar essa nova fase.

iPhone Duo: o primeiro iPhone dobrável é oficial

Depois de anos de rumores, a Apple apresentou oficialmente, em setembro de 2026, o iPhone Duo, seu primeiro smartphone dobrável. O aparelho adota o formato de livro já conhecido no segmento: fechado, funciona como um smartphone compacto; aberto, transforma-se em uma tela consideravelmente maior.

A tela interna possui 7,6 polegadas, enquanto a externa tem 5,4 polegadas. Segundo a Apple, quando aberto, o Duo também se torna o iPhone mais fino já produzido pela empresa.

Um dos destaques está no acabamento nano-texture da tela interna, desenvolvido para reduzir reflexos. A Apple também trabalhou especialmente na dobradiça, um dos componentes mais críticos de qualquer aparelho dobrável, e afirma ter projetado o conjunto pensando em durabilidade e estabilidade em diferentes ângulos.

Por dentro está o novo A20 Pro, acompanhado de um sistema térmico com câmara de vapor e uma arquitetura de bateria dupla. O aparelho também incorpora Wi-Fi 7, Bluetooth 6 e o modem C2 desenvolvido pela própria Apple.

O software precisou acompanhar a transformação física. O iOS 27.1 recebeu adaptações para aproveitar a tela maior, incluindo novas possibilidades de multitarefa e interfaces capazes de se reorganizar conforme o aparelho é aberto ou fechado.

A proposta é simples de entender, embora tecnologicamente complexa: fazer o usuário carregar um iPhone que, quando necessário, oferece uma área de trabalho muito maior.

E quanto custa essa novidade?

No Brasil, o iPhone Duo parte de impressionantes R$21.999. Nos Estados Unidos, o preço inicial anunciado é de US$1.999. Serão oferecidas versões com 256 GB, 512 GB, 1TB e 2TB de armazenamento, nas cores branco-estrela e céu noturno.

A pré-venda brasileira está prevista para 16 de outubro de 2026, com disponibilidade a partir de 23 de outubro. É um preço que deixa claro o posicionamento inicial do aparelho: mais do que substituir imediatamente o iPhone tradicional, o Duo estreia como uma vitrine tecnológica da Apple.

Galaxy Z Fold8: a experiência de quem chegou antes

Se para a Apple 2026 representa a estreia nos dobráveis, para a Samsung significa mais uma etapa de amadurecimento. O Galaxy Z Fold8 chegou ao Brasil em agosto trazendo uma experiência que procura tornar o dobrável mais próximo de um smartphone convencional quando fechado e de um pequeno tablet quando aberto.

O modelo pesa 201 gramas e possui apenas 4,5 mm de espessura quando aberto, segundo a Samsung. A tela externa ganhou proporção 10:16, enquanto a principal aberta utiliza formato 4:3, pensado principalmente para consumo de conteúdo e multitarefa.

No interior está o Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy, com processamento dedicado a recursos de inteligência artificial. A Samsung também informa autonomia de até 26 horas de reprodução de vídeo. Na fotografia, o aparelho traz duas câmeras de 50 MP, principal e ultrawide.

No Brasil, o Galaxy Z Fold8 foi anunciado por R$12.599 na versão de 256 GB e R$14.199 na configuração de 512 GB. A Samsung também apresentou o Z Fold8 Ultra, que amplia ainda mais o posicionamento premium da família.

A comparação com o iPhone Duo inevitavelmente passa a fazer parte da nova geração de smartphones. Agora, pela primeira vez, Apple e Samsung disputam diretamente o consumidor também nesse formato.

Galaxy Z TriFold: quando uma dobra já não é suficiente

Se o Fold parece um celular que vira tablet, o Galaxy Z TriFold leva essa ideia alguns passos adiante. Apresentado pela Samsung no final de 2025, o aparelho utiliza duas dobradiças, permitindo que sua estrutura seja dividida em três seções.

Completamente aberto, surge uma enorme tela Dynamic AMOLED 2X de 10 polegadas, resolução de 2160 × 1584 pixels e atualização adaptativa de até 120 Hz.

Fechado, há uma tela externa de 6,5 polegadas, também com atualização de até 120 Hz. A proposta transforma o dispositivo em algo próximo de um tablet portátil, mas que ainda pode ser carregado como smartphone. E os números acompanham essa ambição.

O TriFold utiliza o Snapdragon 8 Elite for Galaxy, possui 16 GB de RAM, versões de 512 GB ou 1 TB e bateria dividida em três células com capacidade típica total de 5.600 mAh.

O conjunto fotográfico é liderado por uma câmera de 200 MP, acompanhada de ultrawide de 12 MP e teleobjetiva de 10 MP com zoom óptico de 3x. Aberto, chega a apenas 3,9 mm em seu ponto mais fino. Fechado, mede 12,9 mm de espessura e pesa 309 gramas. O formato também permite utilizar três aplicativos lado a lado, aproximando ainda mais o aparelho de uma estação portátil de trabalho.

Por enquanto, entretanto, sua disponibilidade continua restrita a mercados selecionados. A Samsung iniciou as vendas na Coreia do Sul em dezembro de 2025 e posteriormente expandiu a distribuição para alguns outros países.

Cling Band: E se o celular virasse uma pulseira?

Aqui é importante separar o lançamento de experimentação. O Cling Band não é atualmente um smartphone comercial da Samsung. Trata-se de um conceito apresentado pela Samsung Display originalmente no Mobile World Congress de 2024 para demonstrar as possibilidades de seus painéis OLED flexíveis.

E talvez seja justamente por isso que ele seja tão interessante. Aberto, o protótipo lembra um smartphone convencional. Sua estrutura, entretanto, pode ser curvada até envolver o pulso.

A ideia mistura smartphone e dispositivo vestível em um único objeto. O conceito demonstrado também inclui câmera traseira, conexão USB-C, alto-falante e sensor capaz de monitorar frequência cardíaca quando utilizado no pulso.

Não existe, até setembro de 2026, confirmação oficial de produção comercial, preço ou data de lançamento do Cling Band. Ele funciona, portanto, como uma janela para aquilo que a tecnologia OLED flexível poderá permitir no futuro. Hoje dobramos celulares. Amanhã talvez possamos simplesmente vesti-los.

Depois do iPhone, os Apple Glasses?

Enquanto o iPhone começa a dobrar, outra transformação pode acontecer diante dos nossos olhos. A Apple trabalha no desenvolvimento de seus primeiros óculos inteligentes, segundo informações publicadas por veículos especializados e reportagens baseadas em fontes próximas ao projeto.

Diferentemente do Vision Pro, o objetivo inicial não seria colocar enormes ambientes virtuais diante do usuário. Os primeiros óculos inteligentes da Apple são esperados como um produto muito mais discreto e próximo de óculos convencionais.

As informações disponíveis até setembro de 2026 indicam que a primeira geração provavelmente não terá uma tela de realidade aumentada integrada. Em vez disso, a estratégia deve concentrar-se em câmeras, microfones, alto-falantes, Siri e inteligência artificial.

As câmeras poderiam permitir que o sistema compreendesse aquilo que o usuário está observando. Na prática, seria possível olhar para um objeto, monumento, placa ou produto e fazer uma pergunta diretamente à Siri. Tradução de textos, reconhecimento contextual, chamadas, reprodução de música e notificações por áudio estão entre as possibilidades apontadas. Há ainda relatos sobre testes envolvendo reconhecimento de gestos das mãos, criando uma maneira de controlar funções sem depender de uma tela física.

A privacidade deve ser um dos pontos centrais do produto. A presença permanente de câmeras em dispositivos usados no rosto já provoca debates importantes sobre gravação e consentimento, e reportagens recentes indicam que a Apple estuda mecanismos específicos para enfrentar essa questão.

O produto ainda não foi oficialmente anunciado pela Apple, portanto nome, especificações, preço e design definitivo permanecem desconhecidos. As informações mais recentes apontam para uma possível apresentação em 2027, seguida pelo início das vendas posteriormente naquele ano.

DO BOLSO PARA O CORPO

A evolução desses dispositivos revela algo maior do que uma simples corrida por telas diferentes. Durante anos, a indústria tentou colocar cada vez mais funções dentro de um retângulo de vidro. Agora, o próprio retângulo está sendo questionado.

O Galaxy Z Fold8 representa o amadurecimento do smartphone que vira tablet. O iPhone Duo marca a entrada da Apple nessa disputa. O Galaxy Z TriFold expande o conceito para três seções. O Cling Band experimenta transformar o telefone em algo que pode envolver o corpo.

E os futuros óculos inteligentes sugerem uma direção ainda mais radical: talvez nem sempre seja necessário retirar um aparelho do bolso. Nesse cenário, a inteligência artificial também deixa de ser apenas um recurso dentro de aplicativos. Ela passa a atuar como uma camada entre o usuário, o dispositivo e o ambiente ao redor.

2026: O ANO EM QUE O FORMATO COMEÇOU A MUDAR

O smartphone tradicional dificilmente desaparecerá tão cedo. Ele é resultado de quase vinte anos de aperfeiçoamento e continua sendo extremamente eficiente. Mas a indústria voltou a experimentar. Isso talvez seja o aspecto mais importante dessa geração.

Apple e Samsung não estão apenas tentando decidir quem produz o celular mais fino, rápido e poderoso. Elas começam a disputar qual será a próxima forma da computação pessoal. Pode ser um aparelho que dobra uma vez. Pode dobrar duas. Pode envolver o pulso. Ou pode simplesmente desaparecer do bolso e chegar ao rosto.

Depois de anos olhando para telas cada vez mais parecidas, a tecnologia voltou a perguntar algo que parecia esquecido: afinal, que forma um computador pessoal precisa ter?