Bons frutos da pandemia

Durante os primeiros quatro meses em que prevaleceu o lockdown, todos os clubes que mantiveram suas equipes de manutenção em torno de 50% ou mais de sua capacidade operacional

Rafa Becker

Nesta edição, gostaria de abordar constatações dos meses de pandemia; uma referente aos campos de golfe, e a outra, com relação ao comportamento de jogadores profissionais e amadores.

Inicio com os campos, cujos resultados começaram a aparecer nos últimos 60 dias com a abertura e o retorno das atividades. Durante os primeiros quatro meses em que prevaleceu o lockdown, todos os clubes que mantiveram suas equipes de manutenção em torno de 50% ou mais de sua capacidade operacional conseguiram recuperar ou dar outro padrão para fairways, tee’s e greens de seus campos.

A ausência dos jogadores eliminou o aparecimento dos divots nos fairways e nos tee’s, permitindo a recuperação do gramado em sua plenitude. Como também a ausência dos pisoteamentos e dos piques de bolas deu uma nova vida aos greens, na maioria dos campos. Os clubes que aproveitaram o período para fazer a areação de todo o seu gramado, aqui incluindo os farways e os greens, hoje têm um campo em melhor estado, e, em alguns deles, alcançaram uma qualidade que não tiveram em dezenas de anos. Os administradores dos campos que puderam fazer os mais diversos testes de manutenção hoje conhecem melhor seus fairways e greens.

Mesmo nos melhores campos e com as maiores verbas para manutenção, o período da pandemia permitiu a correção de partes dos greens que sofriam mais com o pisoteamento e com a irrigação não uniforme do seu solo. Os especialistas, entre eles os green keppers, agrônomos e outros, com quem tive a oportunidade de conversar, me disseram que o período de paralisação de atividades esportivas deu aos gramados uma revitalização como nunca eles conseguiram antes. E um deles em especial, que trata de campos há diversas décadas, afirmou que, em toda a sua carreira, jamais teve esse fôlego para cuidar como se deve do campo. Ele disse, brincando “Agora vão dizer que, finalmente, aprendi a cuidar do gramado”. Por isso, meus queridos jogadores de golfe que voltaram a praticar o nosso esporte preferido, precisamos, agora mais que nunca, ao constatarmos a melhoria dos nossos campos, entender, de uma vez por todas, a importância dos cuidados em repor divots nos fairways e corrigir os piques de bolas nos greens.

Jogadores se preparando

Já do lado dos jogadores no lockdown, tivemos algumas experiências também interessantes. Entre os profissionais, alguns aproveitaram para corrigir ou mudar seus swings. E, talvez o exemplo mais forte no golfe mundial seja o caso do profissional norte-americano Brison DeChambeau, que, além de mudar o seu swing, acabou aumentando sua massa muscular, para hoje dar os drives mais potentes do tour.

Alguns jogadores acabaram fazendo pequenas cirurgias que vinham adiando, mas a grande maioria se dedicou a aperfeiçoar seus estados atléticos e outros também, para trabalhar o mental de seus jogos. Suas equipes de preparadores físicos, fisioterapeutas e coach mentais puderam trabalhar com seus clientes de forma mais organizada e tranquila. Sem dúvida, isto era de se esperar, uma vez que o tour exige demais de cada um deles.

Entre os nossos profissionais, pude acompanhar um pouco da dura rotina do Alexandre Rocha e do Rafa Becker, que, lamentavelmente, ainda não conseguiram voltar ao PGA Latinoamerica, mas que acabaram por fazer um excelente playoff, vencido pelo Rafa, no torneio profissional do Aberto do Estado deste mês. Vou pedir licença ao Alex Rocha, de cujo swing e elegância eu sou um grande fã – sem falar que ele foi o único a jogar os dois dias abaixo do par -, para um cumprimento mais caloroso ao Rafa, que jogou muito golfe no último dia 11 de outubro, com oito birdies, e, mesmo fazendo dois greens de três putters com consequentes bogeys, terminou a volta em 65 tacadas, seis abaixo ao par. Esse trabalho também ocorreu com os amadores de ponta, que estão à busca de um lugar ao sol para se tornarem futuros profissionais, e aqueles que buscam um convite de uma universidade americana, sempre ávidos por identificar grandes jogadores.

Irmãos Grimberg

Lauren e Gui Grimberg

O exemplo mais próximo de nós é o caso dos irmãos Grimberg, Lauren e Gui, que acabaram de ganhar o 71º Aberto do Estado de São Paulo, ocorrido no São Fernando Golfe Clube, em 10 e 11 de outubro, que trabalharam muito forte nos treinamentos durante a pandemia. Veja nos vídeos anexos momentos do treinamento deles.

Já, nós mortais amadores de todas as idades, que no período de quarentena continuamos a manter os alongamentos e cuidados da saúde, certamente aproveitaremos melhor os jogos dos próximos meses.

No mundo do golfe

Depois do US OPEN comentado na revista anterior, a brilhante vitória de DeChambou, o que melhor aconteceu para mim e para muitos apaixonados pelo esporte, foi a volta das vitórias do querido espanhol Sergio Garcia em solo americano desde o Masters de 2017. Garcia venceu o Sanders Farms Champeoship, realizado entre 1º a 4 deste mês, por uma tacada depois de um birdie sensacional no último buraco. Com isso, ele se junta aos monstros sagrados como Tiger Woods, Phil Mickelson, Ernie Els e Jim Furik, alcançando a marca de mil semanas entre os top 50 cinquenta do mundo. Tenho certeza de que ele, agora com 40 anos, não deve achar ruim de carregar o apelido de “El Niño”, angariado no passado por causa de seu temperamento um tanto impetuoso.

Cuidando da saúde dos golfistas

Nesta edição, a fisioterapeuta Rossana Quessa, especializada em golfistas, apresenta como tratar a terceira principal lesão desses desportistas: os cotovelos. Assista ao vídeo e aplique as recomendações. Viva o golfe!

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