A educação que prepara para a vida

"A educação clássica ensina aos alunos milhões de informações sobre o mundo em que vivemos, mas nada sobre o planeta psíquico"

Ilustrativa

Por que somos uma espécie que facilmente adoece em sua psique e macula sua história? O fenômeno RAM (registro automático de memória) arquiva todas as experiências que vivenciamos, sejam elas prazerosas ou angustiantes. Ele forma e preenche as janelas da memória que serão a base de sustentação e formação do Eu, que representa nossa consciência crítica e capacidade de escolha.

Quando o Eu está relativamente maduro, no final da adolescência, e, portanto, capaz de filtrar estímulos estressantes e de escrever a sua história, ele já é refém de seu passado, de milhares de janelas com milhões de experiências. E nada disso pode ser deletado, apenas reeditado.

Enfim, quando o Eu adulto tem consciência crítica como ser único, a “cidade da memória” está bem organizada, com núcleos de habitação que já dão sustentabilidade às principais características básicas da personalidade, A educação que prepara para a vida como timidez, ousadia, sensibilidade, impulsividade, flutuação emocional, humor, determinação, insegurança, raciocínio esquemático. Sem uma educação profunda, o Eu, na plenitude da sua liberdade, viverá numa masmorra!

Pense na timidez, que atinge cerca de 80% dos jovens. O Eu pode reciclá-la, mas é um processo mais difícil que a mais delicada cirurgia corpórea. Por isso advogamos que o Eu pode e deve aprender, desde a mais tenra infância, sobre as ferramentas para se autocontrolar. Ou seja, à medida que é formado, deve se tornar também um formador; à medida que é educado, deve se tornar também um educador da emoção e gerenciador dos pensamentos.

Precisamos educar a nossa emoção
A educação clássica ensina aos alunos, da pré-escola à pós-graduação, milhões de informações sobre o mundo em que vivemos, do imenso espaço até o átomo, mas não ensina quase nada sobre o planeta psíquico, sobre os fenômenos que nos tornam seres pensantes. É por isso que tal educação, que antes preparava para a vida, hoje, nesta sociedade hipercompetitiva e saturada de informação, forma, com as devidas exceções, meninos com diplomas nas mãos, sem proteção emocional, sem habilidades para lidar com perdas e frustrações, sem a capacidade mínima de filtrar estímulos estressantes e de ser líderes de si mesmos. Perceba que estou falando mais do que de valores; estou falando das funções fundamentais do Eu como autor da sua história.

Mas esse tipo de educação é de responsabilidade dos pais ou da escola?
De ambos. Não podemos lotear os alunos. Pais e educadores têm responsabilidades sobre o futuro emocional, social e profissional dos seus educandos. Muitos pais terceirizam a educação, atribuindo à escola uma responsabilidade que também é deles, o que é um erro imperdoável. Entretanto, a maioria das escolas se esquiva de assumir sua parte nesse processo. Reitero: elas se encarregam de transmitir milhões de dados sobre o mundo em que estamos, mas frequentemente se calam sobre o mundo que somos.

Dica do mês

Título: Pais Brilhantes, Professores Fascinantes
Autor: Augusto Cury
Editora: Sextante
Preço: R$ 29

* PREÇOS PESQUISADOS EM OUTUBRO DE 2020

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